Após tentar internar o filho usuário de drogas, mãe o acorrentou em casa. Segundo a polícia, mãe não será indiciada, pois adolescente não foi maltratado.
“Bastou um ano para que a primeira experiência com o crack virasse um vício sem limites”, relata a mãe do adolescente, Cristina de Cássia dos Santos. “Começou a sumir coisas de casa. Perguntei e ele dizia, emprestei para um colega, ele vai entregar mais tarde. Sumiram tênis, calças, blusas”, completa. Com um mandado judicial, a mãe tentou internar o adolescente em uma clínica, mas ela não aprovou as instalações do local. Por isso, na semana passada tomou uma atitude desesperada. “No outro dia, fui ao armazém, comprei a corrente, acordei-o e falei, a partir de hoje vou acorrentar você porque não agüento mais. Ele falou, pode acorrentar porque não agüento mais sofrer”, conta Cristina. A corrente foi fixada na parede e a outra ponta em um dos pés do menino. Ele podia ter acesso à sala, ao quarto e ao banheiro. Preso, passou a se sentir mais seguro. “Não vejo a cara dos amigos, não vejo ninguém para oferecer dinheiro para ir lá comprar”, afirma o adolescente. A prisão durou seis dias. Nesta terça-feira (20), o Conselho Tutelar e a Polícia Militar foram até a casa e pediram que o jovem fosse libertado. Segundo o delegado Wellinton Clair de Castro, a mãe não deve ser indiciada. “Ele permitiu que fosse acorrentado. Tinha acesso a todos os cômodos da casa e recebia as refeições. Não foi maltratado, por isso a mãe não pode ser incriminada”, explica. O adolescente fez exames em um hospital que vão comprovar se ele foi vítima de violência. Nesta quarta-feira, ele será levado para um centro de recuperação. Apesar do sofrimento, o jovem não condena a atitude da mãe. “Ela é mãe, está fazendo para o meu bem. Nenhuma mãe quer ver o filho assim morrendo nas drogas”, diz o adolescente.
No geral, não. A maioria das pessoas não gosta dos efeitos e as afirmações de que a erva, por ser “natural”, faz bem, não passam de besteira. Outros adoram e relatam que ela ajuda a aumentar a criatividade, a relaxar, a melhorar o humor, a diminuir a ansiedade. É inevitável: cada um é um.
Câncer - Pessoas tratadas com quimioterapia muitas vezes têm enjôos terríveis, eventualmente tão terríveis que elas preferem a doença ao remédio. Há medicamentos para reduzir esse enjôo e eles são eficientes. No entanto, alguns pacientes não respondem a nenhum remédio legal e respondem maravilhosamente à maconha. Era o caso do brilhante escritor e paleontólogo Stephen Jay Gould, que, no mês passado, finalmente, perdeu uma batalha de 20 anos contra o câncer (leia mais sobre ele). Gould nunca tinha usado drogas psicoativas – ele detestava a idéia de que interferissem no funcionamento do cérebro. Veja o que ele disse: “A maconha funcionou como uma mágica. Eu não gostava do ‘efeito colateral’ que era o borrão mental. Mas a alegria cristalina de não ter náusea – e de não experimentar o pavor nos dias que antecediam o tratamento – foi o maior incentivo em todos os meus anos de quimioterapia”.
Aids - Maconha dá fome. Qualquer um que fuma sabe disso (aliás, esse é um de seus inconvenientes: ela engorda). Nenhum remédio é tão eficiente para restaurar o peso de portadores do HIV quanto a maconha. E isso pode prolongar muito a vida: acredita-se que manter o peso seja o principal requisito para que um soropositivo não desenvolva a doença. O problema: a cannabis tem uma ação ainda pouco compreendida no sistema imunológico. Sabe-se que isso não representa perigo para pessoas saudáveis, mas pode ser um risco para doentes de Aids.
Esclerose múltipla - Essa doença degenerativa do sistema nervoso é terrivelmente incômoda e fatal. Os doentes sentem fortes espasmos musculares, muita dor e suas bexigas e intestinos funcionam muito mal. Acredita-se que ela seja causada por uma má função do sistema imunológico, que faz com que as células de defesa ataquem os neurônios. A maconha alivia todos os sintomas. Ninguém entende bem por que ela é tão eficiente, mas especula-se que tenha a ver com seu pouco compreendido efeito no sistema imunológico.
Dor - A cannabis é um analgésico usado em várias ocasiões. Os relatos de alívio das cólicas menstruais são os mais promissores.
Glaucoma - Essa doença caracteriza-se pelo aumento da pressão do líquido dentro do olho e pode levar à cegueira. Maconha baixa a pressão intraocular. O problema é que, para ser um remédio eficiente, a pessoa tem que fumar a cada três ou quatro horas, o que não é prático e, com certeza, é nocivo (essa dose de maconha deixaria o paciente eternamente “chapado”). Há estudos promissores com colírios feitos à base de maconha, que agiriam diretamente no olho, sem afetar o cérebro.
Ansiedade - Maconha é um remédio leve e pouco agressivo contra a ansiedade. Isso, no entanto, depende do paciente. Algumas pessoas melhoram após fumar; outras, principalmente as pouco habituadas à droga, têm o efeito oposto. Também há relatos de sucesso no tratamento de depressão e insônia, casos em que os remédios disponíveis no mercado, embora sejam mais eficientes, são também bem mais agressivos e têm maior potencial de dependência.
Dependência - Dois psiquiatras brasileiros, Dartiu Xavier e Eliseu Labigalini, fizeram uma experiência interessante. Incentivaram dependentes de crack a fumar maconha no processo de largar o vício. Resultado: 68% deles abandonaram o crack e, depois, pararam espontaneamente com a maconha, um índice altíssimo. Segundo eles, a maconha é um remédio feito sob medida para combater a dependência de crack e cocaína, porque estimula o apetite e combate a ansiedade, dois problemas sérios para cocainômanos. Dartiu e Eliseu pretendem continuar as pesquisas, mas estão com problemas para conseguir financiamento – dificilmente um órgão público investirá num trabalho que aposte nos benefícios da maconha.
AGORA A CONTRA PARTIDA
Fonte: Duvidosa
Ta aí uma pergunta que vem sendo feita faz tempo. Depois de mais de um século de pesquisas, a resposta mais honesta é: faz, mas muito pouco e só para casos extremos. O uso moderado não faz mal. A preocupação da ciência com esse assunto começou em 1894, quando a Índia fazia parte do Império Britânico. Havia, então, a desconfiança de que o bhang, uma bebida à base de maconha muito comum na Índia, causava demência. Grupos religiosos britânicos reivindicavam sua proibição. Formou-se a Comissão Indiana de Drogas da Cannabis, que passou dois anos investigando o tema. O relatório final desaconselhou a proibição: “O bhang é quase sempre inofensivo quando usado com moderação e, em alguns casos, é benéfico. O abuso do bhang é menos prejudicial que o abuso do álcool”.































